Ir para o conteúdo
"Ela é carioca, ela é carioca..."

"Ela é carioca, ela é carioca..."

Apaixonada por patinhos, cardápios de restaurantes e farofa de banana, avessa a casas sem cor, inquieta a ponto de mudar a posição dos objetos de decoração semanalmente, a carioca Luísa Cunha abriu as portas do seu apartamento para o blog do Mathinna e contou um pouco da sua história, dos seus gostos e do seu dia a dia na cidade onde nasceu. Além de fotógrafa, produtora de conteúdo e social media, de vez em quando ela faz “uns jobs de decoração”, e diz o que não pode faltar numa casa brasileira. Anotem aí: memória afetiva. A casa não deve ser só funcional, “é um espaço de afeto e convivência.”

1 - O que significa “morar bem” para você?

Pra mim, morar bem vai além do conforto e da sensação de segurança. A estética e a beleza também são essenciais pra essa sensação.

 











2 - Quem é Luísa? (Profissão, família, gostos e peculiaridades…). Há quanto tempo mora no Rio de Janeiro? 

Muitas coisas (risos). Fotógrafa, produtora de conteúdo, social media e, de vez em quando, faço uns jobs em decoração. Moro no Rio desde que nasci, há 32 anos, e sou apaixonada pela minha cidade, não sei se conseguiria morar em outro lugar. Casei cedo e tive uma gravidez não programada (com dois meses de namoro). Hoje, tenho um filho de 10 anos, amo qualquer assunto que envolva casa e decoração, minha hora preferida é o fim do dia, quando eu posso acender todas as luzes baixas da minha casa. E amo nadar, principalmente no mar. Sou viciada em fotografar pratos e mesas depois que a refeição termina. Acho a baguncinha bonita e faço isso tem um tempinho.

 

3 - O que não pode faltar em uma casa brasileira?

Memória afetiva. Casa brasileira não é só funcional, é um espaço de afeto e convivência, então, improvisos são bem-vindos, memórias de valor emocional: fotos de família, lembrancinhas de viagem, objetos com história, manias herdadas da casa dos pais e por aí vai. É aquela clássica sacolinha cheia de sacolas que fica na cozinha, a superbonder com saquinho de ketchup na porta da geladeira. Aqueles símbolos cotidianos afetivos que estão no nosso imaginário. E farofa, claro. Aqui em casa tem todo dia (de banana!).

 




 

4 - Qual foi a maior mudança de mentalidade/gosto que refletiu na sua casa?

As cores. Minha primeira casa era muito branca e cinza, dura. Aos poucos, fui me interessando mais pelo universo de casas e conheci as mais lindas, coloridas e cheias de vida. Aprimorei o olhar nesse sentido e tomei um certo horror de casas sem cor.


5 - Se a sua casa falasse, o que ela diria sobre você?

Que sou inquieta. Tô sempre mudando alguma coisa de lugar, acho que toda semana (risos).

 

6 - Como você lida com tendências sem perder autenticidade?

Se a tendência fizer sentido pra mim, não tenho problema em aderir. É importante não se guiar apenas por elas, porque são passageiras. Tento entender o que realmente faz sentido a longo prazo, o que combina comigo e permanece além do momento.










7 - Existe algum objeto na sua casa que conta uma história importante da sua vida?

Muitos objetos aqui têm um valor afetivo enorme por terem vindo das nossas famílias, mas existe um item bem simples que é especial para mim: um mini engradado da Coca Cola que hoje fica na minha estante. Eu brincava com ele quando era pequena na casa da minha avó e como a casa não era preparada pra criança, a gente se divertia com o que encontrava no armário cheio de cacarecos dela. Há pouco tempo ela me deu o engradado de presente, como lembrança, porque sabia que era a primeira coisa que eu procurava quando chegava lá. De certa forma é um pedacinho dessa infância maravilhosa que eu tive passando finais de semana na casa dela.

 

 

8 - Como você definiria o seu estilo, em três palavras?

Acho que sou bem versátil, semi-básica e descomplicada. Difícil essa ...

 

9 - Como é um dia comum na sua vida dentro de casa, rotina?

Sem grandes emoções: acordar, colocar meu filho pra escola, tomar café, nadar, trabalhar à tarde e relaxar à noite com a família, jogar jogos e dormir. A gente adora ficar em casa, então passo boa parte dos meus dias dentro dela.

 








10 - O que você considera sucesso em um mundo tão performático?

Acho que sucesso é conseguir ser de verdade. Em um mundo tão performático, existe uma pressão enorme pra chamar atenção, seguir tendências e parecer sempre interessante. No fim, todo mundo fica igual, sem espaço para personalidade. Então pra mim sucesso é justamente você ter segurança para não entrar em todas as tendências, manter a própria identidade e viver de forma coerente com quem você é.

 

 




11 - Qual é o privilégio da vida carioca? Só tem no RJ ... 

O grande privilégio é morar numa cidade grande, com tudo o que uma metrópole oferece, rodeada por mar e montanha. Acho fascinante você poder dar um mergulho antes de trabalhar, correr na orla, fazer uma trilha. A cidade te proporciona essa vida solar e muita atividade de bem-estar, ao ar livre, de graça.

 

 

 

12 - Como é um “Domingo perfeito” pra você?

Acordar cedo, passar a manhã na praia com amigos e família, comer meu pastel preferido e esticar direto pra almoçar um pf na rua. Eu me dou esse luxo quase todo fim de semana.

 

13 - Qual foi o ponto de partida da decoração da sua casa?

O hall da entrada. Ele é verde água com teto listrado em vermelho que eu mesma pintei e a partir dele decidi que o interior da casa seria bem alegre e estampado.

 



 

14 - Você tem alguma coleção? Como começou?

Coleciono patinhos de borracha e cardápios. Uma vez viajando entrei numa loja só de patos de borracha e fiquei doida. Comprei 2. Na mesma viagem consegui mais 2 naquelas máquinas de fliperama. E desde então quando viajo trago um diferente ou algum amigo me presenteia também. Os cardápios comecei recente, peguei a ideia da casa de outra pessoa e acho uma ideia linda.

 

 

 

15 - Qual é o seu prato favorito?

Picadinho! Arroz, feijão, carne picadinha, farofa e banana. O prato perfeito existe.

 

16 - Dicas sobre o Rio ( lugares, restaurantes, museus…)

Praia no posto 6 em Copacabana ou arpoador, cachoeiras subindo pelo Horto, feira da Praça XV e depois andar pela rua do Senado que tem bons restaurantes e muitos antiquários, passear no Parque Guinle em laranjeiras, caminhar e se perder por Santa Teresa.

Restaurantes: café da manhã no Brisa (Posto 6) ou Cirandaia (Botafogo). Braseiro da Gávea, Quick Galetos, Adega Pérola, Haru, esfiha do Largo do Machado, Guimas, Lilia, Polis Sucos, Bar do Mineiro, Casa Ueda, Sult, Refeitória dona Raimunda, Clan bbq e Jurema.

Museus: Casa Roberto Marinho, MAM e Sítio Burle Marx.

 

 



 

 

17 - Se você pudesse deixar uma mensagem para quem está tentando viver de um jeito mais autêntico, qual seria?

Eu diria para ter paciência com o próprio processo. Autenticidade não aparece da noite pro dia, ela vai sendo construída quando você começa a prestar atenção no que realmente faz sentido pra você, sem querer agradar o outro. Não precisa ser perfeito, só precisa ser verdadeiro.



 

 

 

18 - Uma  viagem especial que marcou você e a família?

Paris, ano passado (2025). Foi a minha primeira vez e a do meu filho também então desbravar aquela cidade com ele e meu marido foi um sonho muito sonhado. Choramos na hora de vir embora (risos).

FOTOS: Renata Maria