Ir para o conteúdo
Uma casa com alma

Uma casa com alma

A artista, designer e joalheira Mariah Rovery nasceu no interior do Paraná, mas está há mais de 20 anos em São Paulo, onde construiu a marca de joias que leva seu nome. Originalmente, a empresa era focada apenas em joalheria. “Depois de muitos anos, comecei a permitir que outras partes criativas minhas também ocupassem espaço”, conta Mariah. A partir daí, o negócio se expandiu para o ramo das artes, objetos e experiências, que também estão presentes na decoração da sua casa. Casada com o Victor e mãe de duas cachorrinhas, a Opala e a Cindy, nessa entrevista para o blog “A Casa é um rosto” ela fala um pouco do seu processo criativo, da vida de empresária e de suas paixões, entre elas, a sua casa. Nela, nada foi comprado apenas para preencher espaço. “Minha casa foi construída aos poucos, reunindo peças que encontrei em viagens, obras de artistas que admiro, objetos herdados e elementos que despertam alguma emoção. Uma casa bonita me encanta, mas uma casa com alma me emociona.”

 

1. Quem é Mariah e há quanto tempo mora em São Paulo?

Sou artista, designer e joalheira. Há quase duas décadas construo a Mariah Rovery, uma marca que nasceu na joalheria e hoje se expande para a arte, objetos e experiências. Sou casada com o Victor, mãe de duas cachorrinhas muito amadas, a Opala e a Cindy, e profundamente apaixonada por viagens, natureza, arte contemporânea e tudo aquilo que desperta curiosidade.

Moro em São Paulo há mais de 20 anos. Apesar de amar a energia da cidade, ainda preservo algo da menina que nasceu no interior do Paraná: gosto de observar, colecionar histórias e encontrar beleza nos detalhes.

 



 

2. Para você o que significa “morar bem”?

Morar bem tem muito menos a ver com tamanho ou luxo e muito mais com pertencimento. É entrar em casa e sentir que ela traduz quem você é. Uma casa bonita me encanta, mas uma casa com alma me emociona.


3. O que não pode faltar em uma casa brasileira?

Afeto. Acho que o Brasil tem uma relação muito especial com receber. Uma mesa posta para compartilhar, uma cozinha viva, flores, pessoas entrando e saindo. A casa brasileira tem calor humano.

 



4. Qual foi a maior mudança de mentalidade/gosto que refletiu na sua casa?

Por muito tempo associei beleza à perfeição. Hoje valorizo muito mais a verdade. Passei a me interessar por objetos com história, peças imperfeitas, materiais naturais e elementos que envelhecem bem. Minha casa ficou menos "decorada" e mais vivida.

 

 

5. Em que momento da vida você sente que está agora? E como foi a trajetória da sua marca?

Sinto que estou vivendo uma expansão. Depois de muitos anos construindo uma marca sólida na joalheria, comecei a permitir que outras partes criativas minhas também ocupassem espaço. A arte, as esculturas, os objetos e as experiências surgiram de forma muito natural.

A Mariah Rovery nasceu há 18 anos e cresceu junto comigo. Hoje vejo a marca como uma extensão da minha forma de enxergar o mundo.

 

6. Como lidas com tendências sem perder autenticidade?

Eu observo tendências, mas não crio a partir delas. Gosto de entender o espírito do tempo, mas minhas decisões criativas partem muito mais da curiosidade e da pesquisa do que da moda. A autenticidade vem quando você cria algo que só poderia ter sido feito por você.

 




7. Existe algum objeto que conta uma história importante da sua vida?

Muitos. Sou extremamente afetiva com objetos. Há muitos anos tenho o hábito de comprar ou garimpar peças durante viagens e em momentos marcantes da minha vida. Também guardo com muito carinho alguns objetos que herdei da minha avó após seu falecimento, além de presentes que recebi de pessoas especiais.

E, claro, existem as joias que faço para mim mesma a partir de pedras ou materiais que cruzam meu caminho e despertam alguma conexão. Cada uma dessas peças acaba funcionando como uma cápsula do tempo.


 


8. No universo da criação, o que faz os teus olhos brilharem?

Descobertas. Quando encontro um material inesperado, uma história curiosa, uma técnica antiga ou uma conexão improvável entre mundos diferentes. A criação, para mim, é um exercício constante de encantamento.

 


9. Como equilibrar a rotina de empreendedora e ainda ter tempo para vida pessoal?

Ainda estou aprendendo. Mas entendi que produtividade sem presença não significa muita coisa. Hoje tento criar espaços na agenda para aquilo que alimenta minha criatividade: estar com quem amo, viajar, praticar esportes e simplesmente observar.

 

10. O que consideras sucesso em um mundo tão performático?

Poder construir uma vida coerente com os próprios valores. Sucesso, para mim, é ter liberdade para criar, estar cercada de pessoas que amo e sentir orgulho da forma como caminho.



11. Qual decisão mais impactou sua trajetória?

Ter escolhido seguir um caminho autoral. Nem sempre é o caminho mais fácil, mas é o único que faz sentido para mim.

 

12. Como é um domingo perfeito?

Um café da manhã demorado, uma caminhada ao ar livre, tempo com a família e amigos, boa comida e a sensação de que não existe pressa para lugar nenhum.

 

 

 


13. Qual foi o ponto de partida da decoração da sua casa?

As histórias. Minha casa foi construída aos poucos, reunindo peças que encontrei em viagens, obras de artistas que admiro, objetos herdados e elementos que despertam alguma emoção. Nada foi comprado apenas para preencher espaço.

 

 

14. Dica de ouro: 3 passos para empreender?

Primeiro: construa algo em que você realmente acredita.

Segundo: tenha consistência, mesmo quando os resultados demorarem.

Terceiro: cuide da sua reputação como seu maior patrimônio.

 

15. Qual é o seu prato favorito?

É impossível escolher um só. Amo leitão à pururuca, batatonese, churrasco, estrogonofe e esfiha. Curiosamente, meus pratos favoritos não são necessariamente os mais sofisticados, mas aqueles que me transportam para a minha infância, para a casa dos meus pais no interior e para os momentos felizes em família. Acho que comida, para mim, tem muito mais a ver com memória do que com gastronomia.

 

 


16. Lugares preferidos em São Paulo? (lojas, restaurantes, museus...)

Adoro o MASP, a Pinacoteca e o Jardim Botânico. São lugares onde sempre encontro inspiração.

Entre os restaurantes, tenho vários favoritos: o ICI Brasserie, em Higienópolis, onde amo a rã à provençal; o Kotori, especialmente pelo patê de fígado de frango com brioche na manteiga; o Freddy, que faz o melhor estrogonofe do mundo na minha opinião; e a Carlos Pizza, onde adoro pedir pizza e carpaccio.

Também amo fazer pequenas pausas para um café ou um matcha no KOF ou no Mirá, em Pinheiros.

E, falando em lojas, a minha própria loja é um dos lugares que mais amo estar. Mas também adoro caminhar sem rumo por Pinheiros descobrindo lugares novos, daqueles que parecem escondidos e que têm personalidade própria.

 

 

 

17. O que você faz só por prazer, sem obrigação?

Viajar. Planejar viagens, descobrir lugares novos e observar como diferentes culturas vivem e criam é algo que faço por puro prazer.

 

18. Uma viagem especial que marcou sua vida?

É difícil escolher apenas uma, mas o Japão teve um impacto profundo em mim. A relação deles com o tempo, os materiais, a beleza e os detalhes mudaram muito meu olhar sobre criação.





19. O que você ainda quer viver, criar ou experimentar? Qual é o seu maior sonho hoje?

Quero continuar expandindo minha linguagem artística e criar projetos que conectem arte, matéria e emoção. Quero explorar novas formas de criação, ocupar novos espaços e continuar me surpreendendo com o que ainda sou capaz de fazer.

No campo pessoal, meu maior sonho hoje é construir minha família sem deixar de criar tudo aquilo que ainda existe dentro de mim.

 

 

20. Lugar preferido no mundo?

Os lugares que conseguem unir natureza e cultura. Mas, se pudesse escolher um sentimento, diria que meu lugar preferido é qualquer mesa cercada pelas pessoas que amo.

 


21. Quais pequenos momentos fazem tudo valer a pena?

Uma conversa profunda, um pôr do sol inesperado, um almoço sem pressa, as minhas cachorrinhas correndo pela casa, uma ideia que ganha forma depois de meses de pesquisa. São esses pequenos instantes que, no fim, constroem uma vida bonita.

 

Fotos: Dani Neves