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Sobre cores, moda e um bitoque completo

Sobre cores, moda e um bitoque completo

A arquiteta portuguesa Eva Roncon, 27 anos, um dia já foi “muito minimalista”. Página virada, hoje é uma apaixonada por cores e suas combinações. Há um ano tem se dedicado ao design de interiores e, paralelamente, à vida de influencer, com um perfil de moda no Instagram (@evaroncon_). Sempre viveu em Cascais, mas há cerca de um ano mudou-se com o namorado para uma casa em Lisboa, onde recebeu o blog do Mathinna e contou um pouco da sua história e dos seus projetos futuros. “O meu maior sonho é um dia poder abrir o meu próprio estúdio de arquitetura de interiores fundido com o meu mundo do digital na moda”.    

 

1 - O que significa “morar bem” para si?

“Morar bem” para mim significa que o espaço, a casa, onde estou, reflete o meu estado de espírito. Que quando acordo, sinto-me em paz e em sintonia com os objetos e as mobílias que me rodeiam. É muito importante seguirmos a nossa intuição quando construímos o nosso lar.

 

2 - Quem é Eva?

Sou uma portuguesa, de 27 anos, formada em arquitetura e a trabalhar na área há quatro anos. Sendo que, no último ano, inseri-me mais no mundo do design de interiores, do qual me identifico muito e onde sinto que posso expandir mais a minha criatividade. Sempre vivi em Cascais, e há cerca de um ano mudei-me pela primeira vez para minha primeira casa, em Lisboa, com o meu namorado. Adoro moda, adoro arte, adoro tudo o que é esteticamente bonito e visualmente estimulante. Adoro falar, não me calo, e sou uma pessoa de pessoas. Mas tenho momentos que preciso do meu silêncio, para restabelecer a energia social.

 

 

 

3 - O que não pode faltar em uma casa portuguesa?

Numa casa portuguesa não pode faltar loiça para 30 pessoas, um bom avental e pão. Pão tem sempre que haver.

 

4 - Qual foi a maior mudança de mentalidade / gosto que refletiu na sua casa?

Eu diria que foi uma construção pessoal que cresceu nos últimos dois anos, na minha forma de vestir e que agora que tenho a minha casa, refletiu-se ainda mais, e não poderia estar mais certa que é exatamente quem sou. Sempre me senti atraída por cor e por combinar cores, inclusive o meu tema de tese teve quase para ser sobre "A psicologia das cores na arquitetura". Hoje, sinto-me livre de experimentar tudo o que na minha cabeça parece fazer sentido. É uma forma artista de ser, e a minha casa, é a minha tela.


5 - Se a vossa casa falasse, o que ela diria sobre si?

Que sou uma pessoa que arrisca, mas com moderação e lógica. Mas sempre segura da sua personalidade.

 

6 - Como lidas com tendências sem perder autenticidade?

Eu acho que devemos levar com muita leveza e curiosidade as tendências. Faz parte do processo criativo. Não foi só agora que as tendências foram inventadas, nos anos 60/70 surgiu a febre dos padrões e das cores fortes tanto na moda com na arquitetura de interiores e hoje voltamos um bocado a essa obsessão. As tendências são cíclicas e nós deveríamos agarrar nisso como uma aprendizagem para criar a nossa própria autenticidade.

7 - Existe algum objeto que conta uma história importante da sua vida?

Sem dúvida alguma, a nossa mesa de jantar.  Foi uma mesa que eu criei em conjunto com o meu pai. Comprei duas mesas separadas no OLX, uma delas interessava-me o tampo e a outra os pés. Fiz um “corte e costura” e o meu pai é sempre a primeira pessoa a ajudar-me a por estas ideias criativas em prática.

 

 


8 - Como defines o vosso estilo? E como foi a evolução?

Muito Bauhaus inspirado, através da combinação de cores revigorantes e primárias e muitas formas geométricas, tanto nos padrões como no corte das roupas. Mas, há uns anos, já foi muito minimalista, o que também gosto muito e acho bastante elegante, mas o uso de cores tem todo o meu amor.

 

 

 

 

9 - Como é a rotina de uma influencer?

Bem, esta influencer tem um full-time job, por isso diria que é bem desafiante, mas eu gosto de coisas desafiantes, por isso não tem problema. Trabalho a semana inteira e em todos os espaços vazios que encontro na minha semana aproveito para criar conteúdo e dar presença em eventos. Mas os meus sábados são uma loucura. É, às vezes, um dia interior a criar conteúdo diferente para poder publicar durante a semana seguinte.

 

10 - O que consideras sucesso em um mundo tão performático?

Diria que é saber distinguir muito bem o que é real e o que não é, e nunca desviar do foco/objetivo principal. Mas, acima de tudo, saber ter um equilibro na vida entre o trabalho e a vida pessoal.

 

 

11 - Qual é o seu maior sonho como influencer?

O meu maior sonho é um dia poder abrir o meu próprio estúdio de arquitetura de interiores fundido com o meu mundo do digital na moda. São duas áreas que estão bastante conectadas, é o mundo estético em força.

 

 

12 - Como é um “domingo perfeito” pra si?

Acordar cedo, preparar o meu pequeno-almoço (café da manhã) com calma, comer tranquilamente e depois ir ter com a minha família para desfrutar o resto do dia.

 

13 - Qual foi o ponto de partida da decoração da sua casa?

Foi definir quais seriam as cores principais que eu gostaria que tivessem presentes e os materiais. Tivemos a sorte de ter uma casa com um pavimento em madeiro de pinho lindo, super tradicional em casas lisboetas. E é um ponto de partida superinteressante para misturar outros tons de madeira e consequentemente uma boa paleta de cores primárias.


14 - Dica de ouro; 5 peças que não podem faltar em um guarda-roupa?

Para mim são sem dúvida: uma boa camisola de riscas; um lenço que tanto dê para a cabeça como para o pescoço; um casaco confortável, elegante e que combine com tudo; um par de óculos com lentes meio transparentes; e uma bolsa que tanto dê para ir trabalhar como para ir beber um copo.

 

15 - Qual é o seu prato favorito?

Esta pergunta vai mostrar o quão portuguesa sou, mas sem dúvida alguma um bom bitoque. Com tudo incluído: o bife, o ovo, o arroz, as batatas fritas e a salada.

 

16 - Dicas sobre Lisboa...

Tenho uma lista infinita, mas vou partilhar os meus preferidos. Para cafés/brunch: Etma Bakery, Soeurs Café, Tact Café. Para restaurantes (comida portuguesa e outros): Rui dos Pregos, Eduardo das Conquilhas, Katsu Asian Bistrô, Polpetta Cósmica. Museus: Fundação Calouste Gulbenkian e Centro Cultural Belém (CCB).

 

 

 

17 - Se você pudesse deixar uma mensagem para quem está tentando viver de um jeito mais autêntico, qual seria?

Não penses muito sobre o que poderia ser mais ou menos, ou que os outros vão pensar. Arrisca porque como dizemos em Portugal “quem não arrisca não petisca”.

 

 

18 - Uma viagem especial que marcou sua vida?

Sem dúvida alguma Bali. Fui em 2022 com o meu namorado e ficamos cerca de um mês. Foi absolutamente inesquecível. Quero muito, muito voltar um dia.

 

 

19 - Um objeto ou peça que você jamais irá de desfazer? 

Os meus brincos que uso todos os dias. Eram da minha querida avó materna. Tem um valor sentimental muito importante para mim. Sempre que ela me vê com eles, sorri, e isso para mim é tudo.

 

20 - Gostas de frequentar feiras de velharias / ou sites? Suas dicas para achar uma boa peça?

Adoro! Principalmente fazer pesquisas no OLX. É superdivertido e encontra-se peças com muita qualidade a excelentes preços.

 

 

21 - Como a Nini (coelho) entrou em vossa vida? 

A Nini surgiu muito pouco tempo depois da minha cadela de família falecer. Ela chamava-se Mel, mas eu tratava-a sempre por Nini. Um dia os meus pais apareceram-me com uma coelhinha de 3 meses à frente e eu para homenagear a Mel, chamei-a de Nini.

 

 

Fotos: Carol Lancelloti

 

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