Há oito anos morando em Lisboa, a carioca Camila Martins parece ter encontrado um cantinho na capital portuguesa para realizar seus projetos, e viver. Bem ali, na Praça das Flores, um dos pontos mais agitados da cidade, abriu o bistrô e bar de vinhos Magnólia. Mais recentemente, deu à luz o seu segundo projeto na área de gastronomia, o Calma, a poucos metros da irmã mais velha. E muito perto dos dois bares, está o apartamento onde vive, palco dessa entrevista para o blog “A casa é um rosto”, do Studio Mathinna. Repleto de cores, listras e plantas, o apê revela os gostos estéticos de Camila e o que é um lar pra ela: “morar bem é ter conforto, é se sentir acolhida pela casa, pela decoração que te remete a lembranças”. No tempo livre, quando não está cuidando dos negócios, a regra é desacelerar, acordar sem pressa, tomar café com calma, pegar uma praia, ler um livro, fazer palavras cruzadas na areia, depois comer um peixinho na brasa com vista pro mar e uma taça de vinho. Voltar pra casa, tomar um banho, se jogar no sofá e ver uma série. “Bom demais!”
Quem é Camila? (Profissão, família, gostos e peculiaridades…). Há quanto tempo mora em Lisboa?
Sou carioca, tenho 39 anos e moro em Lisboa há quase oito. Vim trabalhar em cozinha, tive uma trajetória aqui antes de abrir o Magnólia e o Calma. Meu irmão mora em Madrid com a minha cunhada e a minha afilhada, nos vemos com mais frequência. E meus pais moram no Rio, tento ir uma vez por ano pra estar com eles.




Para você o que significa “morar bem”?
Pra mim, morar bem é ter conforto, é se sentir acolhida pela casa, pela decoração que te remete a lembranças.



O que não pode faltar em uma casa brasileira?
Cores vivas e plantas!, principalmente quando a casa brasileira tá na Europa, onde é tudo muito pastel.



Qual foi a maior mudança de mentalidade / gosto que refletiu na sua casa?
Muitas camadas essa pergunta! (rs) Mas a mais impactante foi viajar pro Rio depois de muitos anos sem ir. Sinto que esse retorno às origens fez o meu olhar mudar e a minha casa se transformou desde então.



O que mais lhe atrai em Lisboa, e o que aprendeu com a cidade?
Lisboa é apaixonante. É uma cidade que me dá segurança, calma, um ritmo de vida completamente diferente de uma cidade grande. Apesar de nos restaurantes o timing ser outro, frenético, sinto que a cidade me lembra que existe um momento pra parar. E acho muito interessante viver as estações do ano, saber a hora de aproveitar e se recolher. Acho gostoso.
Como lidas com tendências sem perder autenticidade?
Confesso que não sou muito fã da palavra tendência. Pra mim faz mais sentido aderir ao que te agrada, ao que te deixa confortável e segura.



Existe algum objeto que conta uma história importante da sua vida?
Acho que não tem um objeto específico. É um mix de vários que me remetem a momentos da minha vida. Hoje, tô num momento especial com fotos da minha infância. Essa última viagem ao Brasil mexeu demais comigo, e fiquei feliz de recuperar fotografias da minha infância. Tenho olhado pra elas com muito carinho.

No universo da gastronomia, o que faz os teus olhos brilharem?
Desde criança eu sou apaixonada pela confeitaria. Foi tanta paixão que escolhi isso como a minha profissão. Ver todo o passo a passo que é criar, executar, gerir, e ver um prato chegando à mesa, é uma orquestra e uma alquimia.
Como equilibrar a rotina de empreendedora e ainda ter tempo para vida pessoal?
Rindo alto com essa pergunta! Pergunta de milhões! Não é fácil. Melhorei muito com o tempo pra encaixar a vida pessoal nessa rotina, mas é um desafio constante. Empreender na restauração é desafiador. As coisas nem sempre acontecem como você programa. Mas de alguma forma consigo dar um limite pra mim mesma: agora preciso descansar, curtir. Senão perde o sentido.



O que consideras sucesso em um mundo tão performático?
Pra mim sucesso tem muito a ver com equilíbrio entre a vida pessoal, profissional e a vida online (rs). Conseguir se desconectar e viver a vida real. Estar presente.
Qual decisão mais impactou sua trajetória?
A minha mudança pra Lisboa. Acho que a gente passa por vários momentos na vida em que algo clica e tudo muda, mas pra mim o mais significativo foi esse.



Como é um “Domingo perfeito”?
Acordar sem pressa, tomar café com calma, pegar uma praia, ler um livro, fazer palavras cruzadas na areia, depois comer um peixinho na brasa com vista pro mar e uma taça de vinho. Voltar pra casa, tomar um banho, se jogar no sofá e ver uma série. Bom demais!
Qual foi o ponto de partida da decoração da sua casa?
Muitas listras, plantas e cores.



Dica de ouro: três passos para empreender?
Difícil responder em só três passos! Mas o que não pode faltar: preparar o psicológico pras adversidades, porque elas vão acontecer. Entender que você vai falhar e tem sempre o dia seguinte pra fazer diferente. Ser proativa na resolução dos problemas, respira, foco, resolve e pronto. E se manter motivada, senão empreender perde o sentido.


Lugares preferidos em Lisboa?
Café da manhã no Pão do pastor; tomar um café no Filtrô; um docinho na Juliana Penteado; almoço na Praia do rei, na Casa dos Passarinhos, e pra fechar o dia um vinho com pizza no Lero Lero, e Bar Alimentar.
O que você faz só por prazer, sem obrigação?
Ficar em casa com tempo.



Uma viagem especial que marcou sua vida?
A primeira vez na Bahia marca demais. É muito mágico e potente.
O que você ainda quer viver, criar ou experimentar? Qual é o seu maior sonho hoje?
Um ano sabático!


O famoso “Só tem no Brasil” e tens muitas saudades?
Sinto falta do nosso calor humano, de andar pelas ruas e ser recebida com um sorriso no olhar.






